Dostoiévski Ontem e Hoje

•Dezembro 1, 2009 • Deixe um comentário

Dando continuidade à saga de eventos eslavos correntes nos últimos meses no CCBB paulista, o seminário internacional Dostoiévski Ontem e Hoje pretende refletir sobre diversos pontos teóricos, artísticos e críticos acerca de um dos maiores escritores (e pensadores, por que não?) do século XIX, discutindo as reverberações de seu legado no contexto cultural brasileiro. O evento contará com a participação de importantes nomes dentro dos estudos sobre o autor, seguido pela exibição do filme O Idiota, de F. Castorf.

 

PROGRAMAÇÃO

• 1° de dezembro

Dostoiévski, nosso contemporâneo

Palestrantes: Igor Vólguin (Rússia), Boris Schnaiderman e Paulo Bezerra. Mediação de Bruno Gomide.

• 2 de dezembro

O Universo das Ideias na obra de Dostoiévski

Palestrantes: Déborah Martinsen (EUA), Fátima Bianchi e Bruno Gomide. Mediação de Elena Vássina.

• 3 de dezembro

Dostoievski x Teatro e Cinema – Uma atração irresistível

Palestrantes: Elena Vássina, Aury Porto e Cibele Forjaz. Mediação de Ruy Cortez.

• 4 de dezembro

Dostoiévski e a Vanguarda Russa na arte do século XXI: convergências contemporâneas

Palestrantes: Frank Castorf (Alemanhã), Aurora Bernardini e Arlete Cavaliere. Mediação de Silvana Garcia.

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL

Horário: Terça a sexta, às 19h
Local: Cinema | Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Bilheteria/Informações: Terça a domingo, das 10h às 20h | Telefone: (11) 3113-3651/52
Entrada Franca | Senhas distribuídas na bilheteria do teatro uma hora antes do evento
Classificação: 14 anos

Maiores informações aqui.

Gógol – 200 anos.

•Novembro 23, 2009 • Deixe um comentário

Em comemoração ao bicentenário do dramaturgo e escritor Nikolai Gógol, a Casa das Rosas terá, nessa terça-feira, 24.11, das 19h às 22h, um importante evento apresentado pela Profa. Arlete Cavaliere: Gógol – 200 anos, contará com a presença de intelectuais importantes dentro dos estudos russos no país, como Boris Schnaiderman, Aurora Bernardini (e, em participação especial, Georges Nivat), com palestras e debates mediados pela apresentadora. Além disso, haverá o lançamento dos livros Teatro completo (N. Gógol – tradução, organização, prefácio e notas de A. Cavaliere) pela Editora 34 e Teatro Russo: percurso para um estudo da paródia e do grotesco (A. Cavaliere) pela Humanitas (FFLCH-USP), bem como a leitura dramática de trechos das peças de Gógol com os atores Matteo Bonfito e Yedda Chaves. Oportunidade única.

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Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Avenida Paulista, 37 – Tel. 11 3285.6986

www.casadasrosas-sp.org.br

Melchior de Vogüé – II

•Novembro 23, 2009 • Deixe um comentário

(continuação)

Ao analisar O Romance Russo – o já mencionado conjunto de ensaios sobre a história da literatura russa publicados na Revista dos dois mundos, de determinante influência antipositivista e antirrealista, tais características são as primeiras a serem percebidas no momento em que o crítico propõe, após uma análise das tendências de cunho realista vigentes na França do período assinalado, uma descrição do que deveria ser o Realismo: nisso, a comparação e descrição da literatura russa – em especial da prosa – apresenta-se como pretexto para que os franceses enxerguem nela a saída e a regeneração de uma arte autóctone marcada pelo vazio espiritual e pela ausência de propósito no meio em que ela se encontra. Tais reivindicações, claramente remetentes às ideias de Soloviov (1853-1900) e ao esquematismo de Bielínski, são claramente atendidas, segundo o autor, em toda a prosa russa – até mesmo nas obras pertencentes à vertente materialista, tendo o seu ápice em alguns romances de F. Dostoiévski (1821-81) – ao qual é atribuída especial atenção dentro da organização da obra.

Pautando-se, em um primeiro momento, em uma análise cronológica da literatura russa com clara ênfase na prosa (é importante observar que Púchkin (1799-1837), no caso, é mencionado apenas pela sua importância na introdução da modalidade artística escrita – e não pela sua poesia em si, gênero no qual Vogüé não vislumbrava possibilidades de transmissão da essência que ele julgava a literatura da Rus possuir – principalmente no que diz respeito às inevitáveis agressões decorrentes de qualquer atividade de tradução), Melchior de Vogüé estabelece, entre a trama dos ensaios, o ponto culminante da evolução literária na inserção do “realismo realista e nacional”, tendo como principal representante N. Gógol (1809-52). É interessante observar que esse foco histórico-cronológico é abandonado quando entra em cena a figura de Dostoiévski: já no título, a ênfase temática (“A Religião do Sofrimento – Dostoiévski”) acentua a impressão peculiar que tal autor provocou no crítico e a mudança de recorte ao deparar-se com a profunda espiritualidade e com o psicologismo do escritor. Entretanto, não se pode descartar a impressão negativa que determinados romances do autor, principalmente a partir de Crime e castigo, dada a “desconectividade de temas e a discursividade negativista” que vão de encontro aos propósitos do crítico – o que não deixa de ser diferente de uma possível opinião de um Bielínski que sobrevivesse para analisar a trajetória posterior aos seus derradeiros comentários.

Como última impressão, faz-se necessário dizer que, não obstante a perspectiva orientalizante de Vogüé, é notável a impossibilidade de desprendimento, por parte do crítico, dos moldes clássicos ocidentais, tendo como reflexo a visão e os comentários do crítico em relação aos já assinalados romances de Dostoiévski, por exemplo. Nisso, a leitura de O Romance Russo resulta na presença de uma interrogação latente em um leitor atento: em que medida o elemento oriental russo na literatura pode ser considerado como uma solução à literatura ocidental, partindo do pressuposto que, em vários momentos, é visto como uma falha? Apesar dos pontos de discussão salientados por uma crítica posterior, a importância de Vogüé foi fundamental para levantar essa e outras questões… E acima de tudo, para que o Ocidente passasse a atribuir uma maior importância à literatura russa – sendo ela ou não a solução para a agonia espiritual do Ocidente.

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Mais:

Melchior de Vogüé – I

•Novembro 17, 2009 • Deixe um comentário

O presente texto procura abordar, de forma resumida, os aspectos principais relacionados a Melchior de Vogüé (1848-1910), crítico, novelista e historiador. Meus agradecimentos ao Prof. Bruno B. Gomide pelas informações transmitidas durante as aulas, imprescindíveis para a composição desse post.

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Embora muitos atribuam à tradição crítica de Vogüé um caráter reacionário e ultrapassado (principalmente quando falamos da crítica dos anos 20 e 30 do século XX), a atuação do intelectual francês impõe-se de forma determinante para o boom da literatura russa no mundo ocidental. Além disso, a ele se deve a formação de todo um paradigma crítico dentro e fora da Rússia, englobando elementos remetentes às concepções de autores como Bielínski e Soloviov – com o qual, aliás, manteve contato direto. Mas, enfim, quem foi Melchior de Vogüé? Qual foi a sua atuação dentro do mundo artístico e literário, e – o mais importante – quais são as ideias presentes entre as páginas de O Romance Russo, obra-referência na abordagem do assunto?

Pode-se dizer que Eugene-Melchior, visconde de Vogüé (1848-1910), teve o seu nascimento marcado por circunstâncias um tanto quanto peculiares: tendo seu primeiro fôlego de vida terrena em pleno local e ano cabalístico da intitulada Era das Revoluções, presenciou logo na juventude as marcas provocadas por esse ambiente efervescente e, a posteriori, em desmoronamento. Sendo impressionado profundamente pela Comuna de Paris e pela Guerra Franco-Prussiana, Vogüé atribui tais acontecimentos à decadência da França – principalmente em relação ao aspecto moral e cultural. Nisso, ele toma para si uma luta intelectual em prol da regeneração e transformação da cultura francesa, pautada, como se poderá ver, em suas convicções fortemente influenciadas pelo catolicismo social de Leão XIII e por uma formação conservadora.

A essência do seu projeto de restauração será encontrada através da carreira diplomática exercida a partir da década de 70 do séc. XIX: atuando em várias localidades do Oriente, Vogüé entra em contato com a vida intelectual russa: passa a estudar o idioma russo, casa-se com uma legítima eslava e trava relações com vários escritores e membros da intelligentsia russa, como Dostoiévski e Soloviov. A profunda essência espiritual dos escritos russos – presente até mesmo, segundo ele, nos pertencentes à corrente materialista em voga na época – impressionou sobremaneira o crítico, que passa a adotar a literatura russa como molde para o mencionado projeto. Nisso, Melchior traduz obras russas, formaliza técnicas de tradução e escreve textos teóricos referentes a temas, aspectos e autores da prosa russa, ressaltando, principalmente, Turguêniev, Tolstói e Dostoiévski – nutrindo por esse último grande veneração. Tais textos, publicados na Revista dos dois mundos (de caráter, cabe ressaltar aqui, fortemente antipositivista e antimaterialista) entre 1883 e 1886, foram compilados em O Romance Russo, sobre cujo prefácio falarei na segunda parte do texto, próximo post.

Por fim, é necessário responder a uma possível pergunta: antes de Vogüé, o Ocidente não conhecia a literatura russa? Não havia análises, estudos sobre a riqueza de seus textos? A resposta está relacionada, provavelmente, à observação da Rússia dentro do contexto internacional do século XIX: frequentemente definida como periferia dentro da Europa, a Rússia – e, por extensão, todos os seus elementos culturais – passou a ganhar os olhares de nações como a França – principalmente em relação aos aspectos referidos – com a política de formação de alianças da segunda metade do século. Por mais que tivesse havido algumas tentativas, dentro da França, de divulgação da literatura russa, cabe ressaltar que a aliança franco-russa foi um evento extremamente favorável à atividade de Vogüé e, consequentemente, ao conhecimento da literatura russa pela França, centro cultural do Ocidente – e por todo ele próprio.

(continua…)

Cinema Russo: Sokúrov em debate.

•Novembro 14, 2009 • Deixe um comentário

Os dias 17 e 18 de novembro serão marcados por um profundo mergulho dentro do mundo criado pelas películas de Alexander Sokurov: o seminário acadêmico Cinema Russo: Sokúrov em debate proporcionará aos interessados uma visão geral da obra do cineasta russo com a exibição de seus principais filmes – com destaque para o histórico Arca Russa, caracterizado pela sua realização em um único plano-sequência -, entremeada com mesas de discussão com a presença de figuras importantes dentro da eslavística nacional e internacional, como Alvaro Machado, Boris Schnaidermann e, em oportunidade única, Georges Nivat. Um evento imperdível para os amantes da sétima arte – e, principalmente, do encantamento imagético de Sokurov.

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Programação:

Dia 17/11 (terça-feira)

16:00 - Exibição de Arca Russa

Mesa de debate com Georges Nivat e Boris Schnaidermann

Mediadores: Alvaro Machado e Neide Jallageas

19:00 - Exibição de Taurus

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Dia 18/11 (quarta-feira)

16:00 - Exibição de Sonata para Viola. Dimitri Chostakóvitch

Mesa de debate com Alvaro Machado e Neide Jallageas

Mediadores: Arlete Cavalliere e Elena Vássina

19:00 - Exibição de Elegia Moscovita

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Local:

CINUSP Paulo Emílio

Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia – Favo 4

Cidade Universitária – São Paulo – SP

http://www.usp.br/cinusp

Organização:

FFLCH/USP – DLO – Área de Russo

flo@usp.br

fone: 3091-4299